quinta-feira, 25 de maio de 2017

DIVERSIDADE ESPIRITUAL (dissertação filosófica breve, 6)


 DIVERSIDADE ESPIRITUAL

                                                                 Wagner Marques Lopes

O Espírito ou Princípio Inteligente conhece e se apropria da diversidade para realizar sua trajetória evolutiva.
No conjunto das diversidades raciais, genéticas, sociológicas e culturais são desfechados os avanços espirituais. Se assim não fosse, o ser humano, espírito encarnado, ainda estaria retido na aurora dos tempos, vivendo no cenário das cavernas. Os contrastes, de qualquer natureza, estimulam o desenvolvimento dos indivíduos e dos grupos.
Reencarna-se para progredir. No processo das vidas sucessivas, o Espírito, portanto, evolui pela força da diversidade existente entre as individualidades, e pela diversificação natural apresentada pelo meio ambiente.
Cabe considerar as decisivas diversidades de ordem intelectual e moral, pois os espíritos são criados por Deus, permanentemente – “O Livro dos Espíritos”, questão 80; o que leva espíritos um tanto evoluídos a conviver com espíritos menos evoluídos. No processo de interação, estes últimos se aprimoram ao contato com os primeiros. Os mais evoluídos também se adiantam, pois, ao apoiarem os incipientes e retardatários, cumprem a Lei de Solidariedade e amealham mais créditos junto a Providência Divina, de conformidade com a Lei do Mérito.
Levanta-se uma dúvida, diante de tanta diversidade: Como fica, ante um quadro tão complexo, com tantas diferenças, a unicidade da lei natural? Cabe recorrer à questão 635 de “O Livro dos Espíritos”, que trata das implicações das diferenças oriundas das posições sociais, e que obteve expressiva nota de Allan Kardec, que abaixo é transcrita em itálico:
“As diferentes posições sociais criam novas necessidades, que não são as mesmas para todos os homens. Não fica parecendo que a lei natural não constitui regra uniforme?”
Resposta dos Espíritos da Codificação: “Essas diferentes posições estão na natureza das coisas e segundo a lei do progresso. Isso não impede a unidade da lei natural, que se aplica a tudo”.
As condições da existência do homem mudam de acordo como os tempos e os lugares, resultando para ele necessidades diferentes e posições sociais apropriadas a essas necessidades. Já que essa diversidade está na ordem das coisas, ela é conforme à lei de Deus, lei que não deixa de ser una em seu princípio. Cabe à razão distinguir as necessidades reais das necessidades artificiais ou convencionais”.
As diversidades são as belas flores da seara evolutiva, prenúncio dos frutos pujantes da perfeição espiritual. 
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