Wagner Marques Lopes
A cobiça é aquele animal feroz que não se
contenta com o que está aos seus pés.
Num estágio crônico seus olhos se derretem
pelo que não lhe pertence.
Asseverou Jesus Cristo, anotado por Lucas,
um terapeuta de almas: “A
candeia do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples, também todo o corpo
será luminoso; mas se for mau, também todo o teu corpo será tenebroso” (Lucas.
11:34).
Diz o dicionário: “cobiça é o desejo
imoderado de bens, riquezas ou honrarias”.
No passado, dizia-se que não seria
conveniente “dar passadas mais largas do que o tamanho das pernas”.
O cobiçoso é um escravo que anula sua
identidade aos entregar-se aos caprichos da vaidade. Quem cobiça visa apenas
exibir-se vaidosamente, não importa a que custo e quão exíguo seja o tempo para
alcançar seus objetivos.
O cobiçoso, quando muito se atreve, cuida de
“plantar ventos e colher tempestades”. Dependendo da extensão de suas ações, a
bonança demora muito a chegar. Ainda aqui na Terra ou no plano espiritual,
vergado pelas dores morais, há de contabilizar o montante enorme de seus
próprios prejuízos espirituais, resultantes de suas enganosas conquistas materiais.
Em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, o
Espírito Fénelon ao discorrer sobre os tormentos voluntários – que ocorrem,
portanto, pela livre vontade dos indivíduos – nomeia os cobiçosos de “pobres
insensatos”; conclamando-as a desprezar as “frioleiras” – as futilidades, as
frivolidades. “Pobres insensatos (...) cuja cobiça lhes envenena a vida!”. Ao
envenenar a vida, a cobiça envenena as almas.
O antídoto para tal veneno chama-se Amor, em
suas doses de renúncia, de desprendimento, de auxílio ao próximo e de
contentamento com o essencial, o necessário.
Observar e valorizar a Natureza, outro bom
antídoto contra o veneno da cobiça. A Natureza se constrói com muito pouco –
grandeza na
simplicidade.
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