quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

COBIÇA (dissertação filosófica breve, 4)

                                                   Wagner Marques Lopes

   A cobiça é aquele animal feroz que não se contenta com o que está aos seus pés.

   Num estágio crônico seus olhos se derretem pelo que não lhe pertence.

   Asseverou Jesus Cristo, anotado por Lucas, um terapeuta de almas: “A candeia do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples, também todo o corpo será luminoso; mas se for mau, também todo o teu corpo será tenebroso” (Lucas. 11:34).


   Diz o dicionário: “cobiça é o desejo imoderado de bens, riquezas ou honrarias”.

   No passado, dizia-se que não seria conveniente “dar passadas mais largas do que o tamanho das pernas”.

   O cobiçoso é um escravo que anula sua identidade aos entregar-se aos caprichos da vaidade. Quem cobiça visa apenas exibir-se vaidosamente, não importa a que custo e quão exíguo seja o tempo para alcançar seus objetivos.

 O cobiçoso, quando muito se atreve, cuida de “plantar ventos e colher tempestades”. Dependendo da extensão de suas ações, a bonança demora muito a chegar. Ainda aqui na Terra ou no plano espiritual, vergado pelas dores morais, há de contabilizar o montante enorme de seus próprios prejuízos espirituais, resultantes de suas enganosas conquistas materiais.

 Em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, o Espírito Fénelon ao discorrer sobre os tormentos voluntários – que ocorrem, portanto, pela livre vontade dos indivíduos – nomeia os cobiçosos de “pobres insensatos”; conclamando-as a desprezar as “frioleiras” – as futilidades, as frivolidades. “Pobres insensatos (...) cuja cobiça lhes envenena a vida!”. Ao envenenar a vida, a cobiça envenena as almas.

  O antídoto para tal veneno chama-se Amor, em suas doses de renúncia, de desprendimento, de auxílio ao próximo e de contentamento com o essencial, o necessário.

  Observar e valorizar a Natureza, outro bom antídoto contra o veneno da cobiça. A Natureza se constrói com muito pouco – grandeza na simplicidade.


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