Wagner Marques Lopes
A
todos os humanos foi facultada por Deus a condição de usufrutuários dos bens
naturais – “Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado,
não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro
desses bens” –“O Evangelho segundo o Espiritismo”, Allan Kardec.
Isso
significa não depredar ou lançar mão de uma forma irracional de tais bens ou
recursos. Ao desfechar as múltiplas agressões, os atentados contra a Natureza,
conspiramos contra a nossa identidade primeira, primordial. Até porque (“os
Espíritos são uma das potências da Natureza” – “O Livro dos Espíritos”,
resposta à questão de nº 87). Um ser humano também é um Espírito - um “Espírito encarnado”. Não
podemos negar a nossa identidade com a Natureza. Ela precede a nossa identidade
cidadã, exigida por lei do Estado; estando enraizada em nossa origem
espiritual.
O rio precisa fluir sem quaisquer danos para que, de forma ininterrupta,
as comunidades ribeirinhas e um pouco mais distantes das correntes possam
desfrutar de suas águas, sem maiores custos de captação, tratamento e
distribuição.
A mata deve ser preservada – altar sagrado
das nascentes.
Os mares não podem ser perigosamente
contaminados, sem que os plânctons sejam atingidos, comprometendo a participação
- hoje, considerada a maior cota - que a estes cabe na oxigenação da atmosfera
planetária.
As aves precisam se multiplicar em liberdade
para que os insetos daninhos não proliferem em excesso; ao tempo em que todos
os pássaros colaboram na disseminação das sementes.
O Espírito Emmanuel, orientador do médium
Chico Xavier, sempre buscou na Natureza os exemplos vivos do serviço
edificante. Em suas mensagens sempre citou a
colaboração contínua e desinteressada da árvore, da fonte, da chuva, do raio,
da abelha e das aves.
Se
tais elementos se encontram nos patamares primeiros da cadeia vital e estão
sempre dispostos a servir, compete ao homem, Espírito encarnado, espelhar-se em
suas obras de renúncia e também servir com desprendimento. Para que tal
aconteça com frutífero sucesso, o primeiro mandamento para todo ser humano deve
ser o de respeitar os seus inúmeros serviçais do ambiente natural. Quem não reverencia
e protege uma fonte de água não se acha preparado para amparar seus
descendentes, muito menos a extensa família humana.
Algumas vezes, tivemos oportunidade de ouvir
falas estranhas e atitudes sem qualquer mérito. Um homem de idade mediana que se
dizia disposto a gastar água à vontade, pois que a carência de água seria
problema para os seus netos. De outra feita, um jovem cortava a machado uma frondosa
árvore sob a alegação de que o dono da casa resolvera por seu corte porque uma
filha de cerca de sete anos nela subia frequentemente e levava tombos. Ficou a
triste lição: “exemplar a árvore, jamais a criança” (!).
O ser humano não faz as noites, mas,
infelizmente por suas atitudes impensadas ou antinaturais pode fazer anoitecer
em muitos espaços, por décadas ou séculos. Em alguns lamentáveis casos, as noites por nos desfechadas hão de
ser definitivas. Pensemos nisso. Façamos luz! “Brilhe vossa luz”, solicitou
Jesus Cristo.
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