terça-feira, 27 de dezembro de 2016

FÉ (dissertação filosófica breve, 4)


 
 
                                                                 Wagner Marques Lopes

    A fé é virtude que deve ser arquitetada no mundo íntimo, sempre com muita segurança. Denominada de "sublime virtude" pelo Espírito Emmanuel, na obra "Vinha de Luz", psicografia de Francisco Cândido Xavier: "A sublime virtude é construção do mundo interior, em cujo desdobramento cada aprendiz funciona como orientador, engenheiro e operário de si mesmo". 

   Por sua irracionalidade, a fé cega nem deveria ser considerada fé. O que caberia também à fé fanática.

   A fé cega não se sustenta. É vacilante. Está mais propensa a sempre aguardar a decisão de terceiros. Aguardando, faz-se refém dos enganadores.
  
   A fé cega afasta o estudo, a reflexão, e despreza o raciocínio. Empurrada para as raias dos extremismos, a fé céga produz a fé fanática.

   Somente a verdadeira fé - a fé raciocinada - pode avançar com as demais virtudes, fazer o indivíduo melhor, tornando-o construtor insubstituível de seu destino.

  Com propriedade, argumenta "O Evangelho segundo o Espiritismo" sobre as personificações da fé: "Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Em asssentando no erro, cedo ou tarde desmorona. Somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes, dado o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana".


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