terça-feira, 6 de setembro de 2016

LIBERDADE, TRANSGRESSÃO e FELICIDADE (Artigo 3)


Artigo (3)

Liberdade, transgressão e felicidade

                                                                       Wagner Marques Lopes    

                A interdependência é lei universal
que suprime a possibilidade da liberdade absoluta.

          A liberdade plena não existe no meio terreno. Se um dia houver não mais do que duas criaturas humanas na face da Terra, ainda assim, a liberdade sofrerá restrições; desde que as duas venham a se encontrar em qualquer parte do globo.  

    O Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, assim questionou os Espíritos Superiores:
  Haverá posições no mundo em que o homem possa vangloria-se de gozar de absoluta liberdade?
    “Não, porque todos vós precisais uns dos outros, tanto os pequenos como os grandes”.

     A liberdade plena em relação ao semelhante somente cabe ao ermitão. No entanto, relativamente ao meio natural que o cerca, o ermitão, homem solitário, não é absolutamente  livre. Ele não pode rejeitar os produtos da terra e da caça, e   deverá utilizá-los com parcimônia continuamente, evitando dizimá-los por completo, caso contrário, verá ameaçada a sua própria sobrevivência.

    Ninguém vive absolutamente livre. A interdependência é lei universal que suprime a possibilidade da liberdade absoluta. Se ninguém foge a esta determinação, também não poderá escapar impunemente quando desrespeita o direito alheio à liberdade.

      Todos podem assegurar a própria liberdade à medida que reconhecerem o direito de liberdade do próximo. White é magistral: “Liberdade é a única coisa que não podes ter se não quiseres dá-la aos outros”.

      Quanto à transgressão da lei, ou seja, a prática do ilícito, o entendimento é também simples. Estando as leis divinas escritas na consciência de todo ser humano, cada um por   sua vez, reconhece, instintivamente quando transgride, desobedece à lei divina ou natural. Tanto isto é verdade que, nossos atos delituosos ficam gravados mais profundamente em nosso mundo íntimo – lembramo-nos muito mais de um número restrito de nossas condenáveis ações do que de uma imensidade de atos louváveis que praticamos ao longo da vida.   

  Reconhecer que a liberdade tem limites e respeitar os ditames da lei faz parte de um aprendizado difícil, mas absolutamente necessário.   Sob o risco de tombarmos nas malhas do desencanto e da dor, devido ao mau uso de um  de nossos maiores patrimônios morais e espirituais – a liberdade.  
               
   Sem isso, onde a felicidade?

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